Voce está em: Estudos Bíblicos - Heresias nas Igrejas

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL 2005
TEMA: HERESIAS NAS IGREJAS; O FALSO EVANGELHO!
AULA Nº2
ASSUNTO: A DOUTRINA DA QUEBRA DE MALDIÇÕES/ PARTE 1

Texto: Salmo nº 109.17-20,28
Introdução:
Assunto polêmico e atual que infelizmente faz parte do corpo doutrinário de algumas denominações evangélicas, a doutrina da quebra de maldições tem se espalhado e sido aceita até mesmo por cristãos sinceros, sem que percebam tratar-se de heresia.
O grave de tudo isso é que esta doutrina torna o sacrifício de Cristo insuficiente para liberta-los de todo mal; como se palavras e maldições tivessem poder superior ao de Cristo sobre as nossas vidas. Indiretamente, coloca os crentes debaixo do medo.
Esta doutrina faz de Deus, um Deus inconseqüente, que fará as coisas mais ridículas possíveis, desde que sejam pronunciadas pelos nossos lábios.

I)Os quatro pilares

Os adeptos desta doutrina crêem basicamente em quatro pontos, a saber:
1)Há poder nas suas palavras;
2)O cristão pode ser amaldiçoado;
3)Maldições passadas podem influenciar a vida do cristão e devem ser quebradas;
4)Existem maldições hereditárias.
Vejamos o que isso significa:
1)No 1º ponto eles afirmam que as palavras que nós falamos podem alterar a vida de outrem; por exemplo: a mãe que vive chamando a filha de prostituta, certo dia poderá ver a sua filha tornando-se uma prostituta; o pai que vive dizendo que o seu filho é burro, certamente fará com que ele vire um burro, se dissermos que uma pessoa está doente ela poderá ficar doente, etc...
Neste ponto é conferido um certo poder místico as nossas palavras, poder este que é colocado sobre a vontade de Deus ou o livre arbítrio das pessoas.
Note bem que não se trata do filho ser ensinado ou influenciado erradamente pelos pais, ou ainda desestimulado; a doutrina diz que as palavras tornarão a pessoa burra independente de qualquer coisa.
Cremos que quando desestimulamos os nossos filhos ou qualquer outra pessoa, as chances dessa pessoa vencer serão menores devido à falta de apoio e incentivo, no entanto existem pessoas que foram totalmente abandonadas na infância e são verdadeiros vencedores. Vale lembrar ainda que devemos ter cuidado com o que falamos no sentido de não magoarmos ou entristecermos o próximo; mais daí a achar que as nossas palavras são mágicas, isto é um absurdo!
Por acharem que as palavras podem amaldiçoar; os que acreditam nesta heresia vivem procurando “desfazer” o que falaram de errado e vivem com medo de transformar as pessoas em alguma coisa. O pior disto tudo é que...

Os adeptos desta doutrina acreditam que Deus fará acontecer tudo o que dissermos, independente de serem coisas más, ou as mais absurdas possíveis!

  

 Nossas palavras podem ofender, entristecer e até causar feridas profundas, por isso devemos temperar as nossas palavras. Se ofendermos alguém, precisamos pedir perdão porque estaremos em pecado se não o fizermos.
2)No 2º ponto a doutrina da quebra de maldições afirma que o cristão pode ser amaldiçoado, ou seja, qualquer palavra lançada contra um servo do Senhor, se não for repreendida terá efeito; mais sério ainda é se for dita em oculto, desta forma então, deverá ser descoberta!
Aqui se deve considerar ainda o fato que eles acreditam que as macumbas e feitiços pegam nos crentes.
3)No 3º ponto a quebra de maldições afirma que muitas vezes a vida do crente não “vai para frente” pelo fato deste crente estar carregando uma maldição do passado. Exemplo: fulano ainda não foi liberto do homossexualismo porque o seu pai no passado disse que ele seria uma “florzinha”, enquanto ele não descobriu este fato, ele não pôde ser liberto. Beltrano é pobre porque a sua mãe disse no passado que ele jamais seria rico, etc...
4)No 4º ponto esta doutrina terrível diz que os problemas do crente podem estar em maldições hereditárias, afirmam até que existem espíritos familiares atuando na vida de determinada família cristã. Podemos citar o seguinte exemplo: determinado irmão é pobre, pois o seu avô tinha uma maldição de pobreza que foi passada para o seu pai e por fim para ele; depois mesmo de sua conversão é necessário descobrir esta maldição para então quebrá-la e aquele irmão terá os seus problemas resolvidos.

A doutrina da quebra de maldições está ligada com as terapias de regressão, pois estas, segundo dizem, são um meio de se descobrir qual a maldição que está atuando na vida do crente.

  

Passaremos agora a refutar biblicamente cada um dos pontos analisados, mais antes quero deixar claro que as pessoas não são libertas porque não quebraram maldições, mais as pessoas não são libertas quando não entregam a sua vida totalmente ao Senhor.
Leia sobre isto em João, capitulo 8, versículo 36.

II)Refutando ponto por ponto

II.A) Refutando o poder das palavras
Este princípio no qual as palavras possuem poderes mágicos de ação ferem pelo menos três pontos claros na Palavra de Deus, a saber: o livre arbítrio dado ao ser humano e sua responsabilidade, a justiça de Deus e o amor de Deus.
Veja o que a Bíblia nos ensina em:
Rm 2. 6-11; Gl 6. 7-9- Somos responsáveis pelos nossos atos.
Como Deus poderia permitir que o seu servo “virasse” burro somente pelo fato de alguém o ter chamado disso?
Jó 42.2; Is 43.13; I Tm 6.15,16; I Jo 5.14 –Deus é soberano e jamais irá se influenciar por nossas palavras erradas!
II Tm 2.11-13 – Se formos infiéis, certamente Deus será fiel a sua Palavra e não tomará o culpado por inocente.
Deus é amor e jamais permitira que maldições estivessem sobre a nossa vida!

II.B) Refutando a possibilidade de sermos amaldiçoados

Primeiramente lembre-se de que maior é o que está contigo, portanto não existe macumba contra o servo de Deus, não existe maldição que possa te derrubar! Leia os seguintes textos:
Nm 23.23 e I Jo 4.4 .

Em segundo lugar, toda maldição tem uma causa (Pv 26.2).
A causa da maldição é o pecado e Cristo se fez maldição por nos para que fôssemos livres de toda e qualquer maldição ( Gl 3.13)
Na verdade, aquele que amaldiçoa é que será amaldiçoado ( Sl 109.17-20)
Se alguém te amaldiçoar, meu amado, não temas, pois Deus transformará esta maldição em benção! ( Gn 50.20; Sl 109. 28 ).
Veja os seguintes exemplos:
Abraão Gn12. 1-3
Davi  I Sm 17. 43
Somente você mesmo poderá “se amaldiçoar”, pois o pecado é que traz conseqüências ruins para a nossa vida.
O próprio ato de amaldiçoar alguém é pecado, por isso quem amaldiçoa é que é maldito; por isso ainda, a Palavra de Deus nos ensina que não devemos amaldiçoar ninguém! Lc 6.28; Rm 12.14  e  Tg 3.10 .
Vale lembrar ainda o exemplo da nação de Israel: enquanto eles estavam em comunhão com Deus, não podiam ser amaldiçoados; nós somos o Israel de Deus e estamos debaixo das bênçãos do Senhor!

II.C) Refutando a necessidade de quebra de maldições passadas
Segundo a heresia da doutrina da quebra de maldições que estamos estudando, maldições passadas, como o termo já o diz, são aquelas que foram ditas contra a pessoa no passado distante ou próximo, muitas vezes proferidas até mesmo pelos próprios pais. Estas maldições podem ter sido lançadas contra a pessoa até mesmo no período fetal, ou mesmo antes da pessoa nascer.
Primeiramente, quero dizer que os pregadores desta doutrina confundem doenças congênitas e problemas de parto com maldições passadas.
No Evangelho segundo João, no capítulo de número 9, o Senhor Jesus cura um cego de nascença. Antes de receber a cura os discípulos fazem a seguinte pergunta a respeito do cego: “Quem pecou para que ele nascesse assim, ele ou os seus pais?”.
Jesus então responde: “Nem ele nem os seus pais!” ( Jo 9.2,3).
Em segundo lugar quero deixar claro que não há necessidade de descobrirmos se existem maldições passadas na vida de cristãos ou necessidade de quebrarmos alguma maldição; haja vista elas não existirem!
As maldições são inerentes ao “velho homem” e este, já morreu, portanto não existe mais. A Palavra de Deus nos ensina em II Co 5.17 que o nosso passado foi sepultado com Cristo! Somos novas criaturas; nascemos de novo!
O texto de Ez 18.1-4,20; põe um ponto final neste assunto.

II.D) Refutando a existência de maldições hereditárias na vida do cristão
Para os adeptos da quebra de maldições, maldições hereditárias são aquelas transmitidas de uma geração para outra. Exemplo: o tataravô tinha caspa, o bisavô também, o avô idem, o pai também tinha e conseqüentemente eu tenho também e meu filho terá com certeza!Conclusão: Há uma maldição de caspa na família!
A)Existe uma verdadeira ignorância quanto a este assunto. Se no ponto estudado anteriormente a questão era com relação aos casos congênitos, agora podemos perceber que as pessoas andam confundindo problemas genéticos com maldições.
B)Vamos “bater” agora de frente com a doutrina da quebra de maldições no ponto referente às maldições de família usando o versículo predileto dos seus adeptos.

Ex 20.2-6
Analisando o versículo acima podemos notar:
1) Faz parte da lei, e a lei era um todo que deveria ser observado e não apenas algumas partes. Ex 20.5(b),6 deve ser visto dentro de todo contexto da lei. Em Dt 24.16, que é um livro da lei, está nítido que Deus não culpa os filhos pela maldade dos pais.A Bíblia não pode se contradizer!
2) Em Ez 18, Deus repete o mesmo princípio.
O que será então que o Senhor está dizendo em Ex 205(b),6?
1º- A misericórdia supera o juízo (para o castigo, quatro gerações, para a misericórdia, milhares de gerações);
2º-  Quando sabemos dos erros passados e repetimos, somos mais culpados do que a geração anterior e, naturalmente, mais cobrados. Veja Mt 23. 29-35
3º-  É óbvio que os filhos:
São influenciados pelos pais
Compartilham do fruto da maldade. Exemplos: doenças adquiridas por imprudência dos pais como a aids; pobreza devido à extravagância dos pais, etc...
Isto, porém não significa que as conseqüências permaneceram para sempre sem solução, ou ainda, não se trata de uma regra. Quando ensino somente o que não presta ao meu filho, as chances dele repetir são grandes e quando ensino coisas boas o mesmo principio aconteça. No entanto, observe o que ocorreu na vida de Samuel: ele era um homem obediente a Deus, reto e íntegro; porém os seus filhos não andaram em seus caminhos! I Sm 3.19; 8.3; 12.3 .
4º- De forma alguma Deus estaria dizendo que puniria os filhos pelo pecado dos pais, pois ele mesmo depois havia dito que não se ouviria mais este ditado em Israel.
5º- Parafraseando, o que Deus disse em Ex 20.5(b),6 é o seguinte: quando vejo os mesmos erros cometidos pelos pais sendo repetidos pelos filhos, mesmo sabendo que os pais me desagradaram com estes erros, tornaram-se os filhos bem piores e eu castigarei severamente estes erros, no entanto darei um basta, para que não seja eliminado de vez o meu povo. Quando, porém, encontro os mesmos bons exemplos dos pais sendo repetidos nos filhos, abençoarei esta nova geração e não esquecerei da sua bondade; usarei de misericórdia e ainda que um dia falhe, em algum momento lembrarei da bondade feita pelos meus servos.
Um exemplo clássico disso é que Deus lembrou-se de Abraão e de Davi, usou de misericórdia com Israel e enviou o Messias. Um dia Deus se lembrará novamente de Israel e resgatará aquela nação.
6º- Se levarmos ao pé da letra ficará insustentável a interpretação que a doutrina da quebra de maldições faz deste texto, basta olharmos os livros de Reis e Crônicas. Um rei bom morria e logo em seguida reinava o seu filho que era mal, que por sua vez era substituído por seu filho que era bom, etc...
Se Deus visitasse a maldade do pai no filho, o rei Ezequias deveria ser punido pela maldade do seu pai; o rei Acaz.
7º- Devemos considerar ainda que o texto de Ex 20.1-6 está em um contexto que se refere apenas ao pecado da idolatria.

Conclusão:
Nesta aula estudamos sobre a quebra de maldições e seus quatro pilares: Há poder nas palavras; o crente pode ser amaldiçoado; maldições passadas podem afetar a vida do cristão e existem maldições hereditárias.
Aprendemos que esses pilares são de “areia” e não expressão a verdade bíblica.
Refutamos a luz da Palavra de Deus cada um destes pilares e aprendemos a verdade desmascarando esta heresia.
Agora que você aprendeu a verdade sobre a doutrina da quebra de maldições; na segunda parte deste assunto iremos aprender sobre os “espíritos familiares, os nomes malditos e as terapias de regressão”.
Encerrarei esta aula, com as palavras ditas pelo pastor Paulo Romeiro no livro Evangélicos em crise; editora Mundo Cristão:
“Qual é a maior das maldições? Sem duvida é estar fora de Cristo. Qual a maior das bênçãos? Certamente é o estar em Cristo. Como se elimina a maior das maldições? Introduzindo a maior das bênçãos.”.

Ricardo Correia de Mattos
Pastor presidente da Consev
Pastor da Semente da Vida, Igreja Evangélica em Guaratinguetá