Voce está em: Seminário de Escatologia - O livro de Daniel

Semente da Vida
Departamento de ensino
Estudo Bíblico
Tema: Análise do livro de Daniel
Aula nº 4
Assunto: Estudo do capítulo 3
Os três jovens na fornalha de fogo
Nesta aula estaremos comentando mais um capítulo da primeira parte do livro de Daniel; trata-se de uma história de fé e extrema confiança em Deus, em meio a todas as circunstâncias adversas. A história tem como protagonistas os três amigos de Daniel, a saber:  Hananias (Sadraque), Misael (Mesaque)  e Azarias (Abede-Nego); estes três jovens nos dão um grande exemplo do que é ter uma fé verdadeira; pura e sem interesses. Além do exemplo prático; o capítulo 3 do livro de Daniel nos dá uma noção do que Daniel e seus amigos enfrentaram na Babilônia.
Não sabemos o motivo pelo qual Daniel não aparece no episódio narrado neste capítulo, entretanto; pelo seu exemplo de vida; sua determinação em não se contaminar; sua vida de oração e fidelidade a ponto de ter sido atirado na cova dos leões (ver capítulo 6), são motivos que não deixam qualquer dúvida de que Daniel não foi pego pelo decreto, provavelmente por não estar presente no momento, e, certamente, não por ter sido infiel a Deus.

I- Esboço do capítulo 3
Como nas aulas anteriores, uma síntese do capítulo 3 nos dará uma visão mais abrangente do mesmo e facilitará o nosso estudo.

Esboço do capítulo 3:
3.1-7- O rei constrói uma estátua de ouro e ordena que a adorem.
3.8-12- O rei é informado de que três jovens judeus se recusavam a adorar a imagem.
3.13-15- O rei chama aos três jovens; ordena que adorem a estátua e desafia a Deus.
3.16-18- Os jovens recusam-se perante o rei a adorar a estátua.
3.19-23- Os três rapazes são lançados na fornalha.
3.24-27- Deus livra os seus servos.
3. 28-29- O nome do Senhor é glorificado.
3.30- Sadraque; Mesaque e Abede-Nego são honrados.

II.- Analisando o capítulo 3

Dn 3.1-7- A estátua do rei
Provavelmente a imagem que o rei mandou erguer fosse uma estátua dele próprio, isto significava uma espécie de culto ao rei; uma divinização do governante. Os povos antigos possuíam este costume, logo, adorar a estátua significava, além da idolatria, a adoração ao rei. Judá havia “sentido na pele” recentemente o resultado desastroso da idolatria.
Um côvado em Israel media cerca de 44,4 cm; na época de Ezequiel, media 51,8 cm, porém o côvado babilônico media aproximadamente 49 cm, o que daria à estátua uma altura próxima dos 29 metros (um edifício de mais de nove andares).
O fato de o rei ter erguido a estátua é mais uma prova de que ele não se converteu, a sua declaração em Dn 2.47 não passava apenas de um reconhecimento inegável do poder de Deus; Nabucodonosor teve que admitir o poder de Deus!(1)
Uma curiosidade: O número seis simboliza o número do homem.
Todos deveriam adorar a imagem.
Os Sátrapas eram altos funcionários, representantes do rei; cabeças do governo provincial. Os prefeitos aqui neste texto, eram, provavelmente, comandantes. Os governadores eram senhores de distritos; quanto a conselheiros, o sentido é o mesmo da palavra, ou seja, conselheiros do povo. Tesoureiros eram administradores públicos, os juízes administravam as leis enquanto os magistrados executavam as leis.  Por fim, de um modo geral, o rei diz: “todos os oficiais”; afim de não esquecer nenhum, apanhando a todos de uma forma mais abrangente. (2)
Todos compareceram à convocação. Quando os instrumentos musicais fossem tocados, todos deveriam se ajoelhar diante da estátua e adorá-la sob pena de serem arremessados na fornalha de fogo ardente em caso de desobediência. (3-7)

Dn 3. 8-12- Hananias, Misael e Azarias se recusam a adorar a imagem
Interessante notar que rapidamente a notícia de que os três jovens recusaram adorar a imagem chega ao rei. Vale também ressaltar o fato da lisonja dos caldeus quando se apresentam ao rei, bem como a inveja em relação à posição que os três ocupavam.
O que impulsionou os caldeus a entregarem os três amigos de Daniel foi à inveja. Podemos notar claramente quando os caldeus dizem, em outras palavras: “os jovens nos quais você confiou e os colocou sobre os seus negócios na província da Babilônia, te traíram e não te obedecem; eles estão fazendo pouco caso de ti e dos teus deuses”. 8-12

Dn 3. 13-15- O rei chama aos três jovens; ordena que adorem a estátua e desafia a Deus.
Obviamente que ao saber da atitude dos jovens o rei ficou extremamente irado, e, então, manda chamar os três jovens à sua presença. (13). Os jovens são trazidos e o rei ordena que adorem a sua imagem diante dele, sob pena de serem jogados na fornalha de fogo ardente (14,15); entretanto, o rei comete a grande besteira de desafiar ao Senhor, duvidando do seu poder (15c).
Parece que Nabucodonosor esqueceu-se até mesmo do porquê de ter colocado os três jovens na posição a qual ocupavam; isto prova mais uma vez que este rei não havia se arrependido dos seus pecados.

O orgulho mergulha os homens em uma profunda cegueira

  

Dn 3.16-18- Os jovens recusam-se perante o rei a adorar a estátua.
Amados, temos nestes versículos uma grande lição para as nossas vidas.
A resposta dos três jovens foi um grande exemplo de fé.
Primeiramente eles disseram que não precisavam falar sobre o fato de Deus ter poder ou não para os livrar, pois esta era uma questão muito óbvia; eles não precisavam atender aos caprichos de um rei em crise de histeria e nem tão pouco necessitavam provar a ninguém se Deus era ou não poderoso, muito menos ao rei, haja vista ele já saber muito bem disso. 16
Sadraque, Mesaque e Abede-Nego afirmam que se Deus quisesse poderia livrá-los, mas, caso Deus não quisesse livrá-los, mesmo assim não adorariam a imagem. O que está em questão não é o poder de Deus e sim a sua vontade!
A fidelidade dos três jovens não estava condicionada ao livramento de Deus, eles amavam a Deus incondicionalmente! 17,18

Infelizmente, muitos que se dizem cristãos possuem um “amor” muito superficial, servem a um “deus” de barganhas, o “deus” do “troca-troca”; tipo: “Se o Senhor me abençoar eu dou o dízimo” ou “Darei o dízimo e então o Senhor será obrigado a me ajudar”; “Se Deus me abençoar eu irei à igreja todos os dias”; “Se Deus me livrar dessa, serei fiel para sempre” etc...
Que fé é esta condicionada a algo?
A verdadeira fé está acima dos limites da razão, acima do ter ou não ter; ela é independente do que Deus possa fazer por nós nesta vida, pois ele já nos deu o mais precioso: A Salvação!
Nossa fé deve ser conforme o exemplo destes três jovens. Veja Hb 11

  

Dn 3.19-23- Os três rapazes são lançados na fornalha.
O rei movido então pelo ódio, ordena que a fornalha seja aquecida sete vezes mais (19) e os jovens são lançados na fornalha (20-23).

As provas do verdadeiro cristão sempre serão mais intensas, porém Deus estará sempre com ele na luta! Mt 28.20(b)

   

Dn 3.24-27- Deus livra os seus servos.
Os jovens são lançados na fornalha; Deus não os livrou DA fornalha (V.20-23), mas os livrou NA fornalha! (V.24).
O rei percebe que havia um quarto homem junto com eles no meio do fogo. O fato deles estarem andando, mostra que o fogo não possuia poder algum sobre os  jovens.
Nabucodonosor afirma que o quarto homem era semelhante a um filho dos “deuses”, ou seja, os povos da antiga Babilônia criam na possibilidade da manifestação de seres espirituais; obviamente que o rei usou uma linguagem baseada em suas convicções pagãs, no entanto, o rei não viu um anjo, mas sim, Nabucodonosor viu o próprio Senhor Jesus! Este é um dos casos de teofania do antigo testamento, ou seja, manifestação visível de Deus através da pré-encarnação de Jesus (25).
O rei ordena que Sadraque, Mesaque e Abede-Nego saíssem do fogo e constata que nem mesmo cheirando a fumaça eles estavam (26,27).

Dn 3. 28-29- O nome do Senhor é glorificado.
Mais uma vez o rei é obrigado a admitir que o Senhor é poderoso!

A nossa fidelidade a Deus é mais percebida diante do mundo nos momentos de dificuldade e dor, do que nos momentos de bonança.

 

Podemos notar que o rei percebeu a fidelidade incondicional dos três jovens, pois ele afirma que eles preferiram entregar o próprio corpo, a servirem e adorarem a imagem (28,29).  

Desta vez o rei redige um decreto um tanto interessante para um governante pagão, mais o importante nisto é notar que, agora oficialmente através de documento, o rei estava admitindo que não havia outro “deus” que pudesse livrar como o Senhor. Este documento somente reforça a dureza do coração do rei, como veremos no capítulo 4.

Dn 3.30- Sadraque; Mesaque e Abede-Nego são honrados.
Deus sempre honrará a nossa fé!

III- Lições importantes:
Dentre as muitas lições desta aula, podemos citar:

1ª- Em termos de história; vimos  que a vida de Daniel e de seus amigos não foi tão fácil na Babilônia até que chegassem na posição que receberam de Deus.

2ª-Aprendemos que Sadraque, Mesaque e Abede-Nego também necessitavam ter uma experiência particular com o Senhor, o que mostrou que a fé que possuíam era viva. Não podemos viver eternamente contando o testemunho de terceiros, precisamos contar as nossas experiências também!

3ª- Devemos ser fiéis ao Senhor independente das circunstancias.

4ª- Nem sempre Deus nos livrará da luta, mas sempre nos livrará na luta e sempre estará conosco na luta.

5ª- Nas lutas provamos mais a nossa fé diante do mundo.

6ª- Deus sempre honrará a nossa fé.

Na próxima aula estaremos comentando o capítulo 4 do livro de Daniel e veremos o quanto o rei da Babilônia ainda necessitava ser quebrantado por Deus, mesmo já tendo admitido por duas vezes que Deus era poderoso.