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Seminário de escatologia - Parte IV
Análise do Apocalipse
Aula nº 10
Assuntos:
Análise de Apocalipse 10.1- 11.14- O 2º parêntese
Análise de Apocalipse 11.15-19- A sétima trombeta 

I – Introdução
Nesta aula estaremos analisando os capítulos 10 e 11.
O espaço que engloba Ap 10.1-11.14, corresponde ao segundo parêntese do livro, e Ap 11.15-19 corresponde ao retorno da ordem cronológica com o soar da sétima trombeta.
Assim como antes de abrir o sétimo selo e iniciar o toque das trombetas houve um parêntese, do mesmo modo, antes de soar a sétima trombeta e serem derramadas as sete taças, existe um parêntese o qual estudaremos nesta aula.

II- Análise do capítulo 10
A primeira visão deste parêntese se encontra neste capítulo...

v.1-4- Este anjo forte é o próprio Senhor Jesus (a palavra anjo não se refere apenas aos seres espirituais, veja Ap 1.20, onde os anjos das igrejas são os pastores; mensageiros), podemos concluir isto devido a sua descrição:
Envolto em nuvem - significa revestido da Glória de Deus;
O arco – simboliza a aliança;
O rosto como sol – poder, divindade (ver Ap 1.16);
As pernas como colunas de fogo – No caso, o fogo da provação; as pernas mostram o caminhar, ou seja, Jesus foi provado em todo o seu caminhar aqui na Terra, mas venceu e jamais pecou (ver Ap 1.15).
Jesus encontra-se no céu com a Igreja, mas não podemos esquecer que se trata de um parêntese.
O livrinho mostra que está para se findar os juízos executados sobre a Terra no período da tribulação; a ira de Deus derramada sobre a Terra estará se encerrando com o tocar da última trombeta.
Algumas teorias sobre o livrinho:
A)- Indica que o fim está próximo, a conclusão do derramar da ira de Deus e a purificação de Israel;
B)- O livro de Daniel;
C)- A Bíblia;
D)-Um outro livro de juízos.
Das opções acima a mais correta e coerente é a primeira.
Os seus pés estão sobre o mar (as nações gentílicas) e sobre a Terra (Israel), ou seja, o restante das coisas que estão para acontecer dizem respeito a Israel e as demais nações. Também indica que o seu domínio estende-se sobre todo mundo.
Sobre os sete trovões: Não nos foi revelado; tentar descobrir certamente levará à heresia. Se o Senhor quisesse revelar, deixaria escrito neste livro, o qual contém tantos detalhes sobre o fim.

v.5-7- Confirma a interpretação acima, ou seja: Já não haverá demora!
Ao soar a sétima trombeta tudo estará cumprido!

8-10- É doce sabermos da vitória final que o Senhor dará ao seu povo, mas quando nos é revelado o modo pelo qual ela virá, isto poderá ser amargoso devido ao sofrimento que será necessário. Israel seria purificado, mas para isto, seria necessário ser espremido; passar pelo fogo da provação! Quanto mais o desfecho da tribulação se aproxima, mas Israel será apertado.
Isto nos lembra dos dias de Jeremias; Deus mostrou ao profeta que trataria com a nação, mas ao ver o que aconteceria, Jeremias sofreu muito!
Amados, muitas vezes oramos e pedimos a salvação de um parente, ou uma determinada vitória, ou ainda uma libertação em certa área da vida, mas não podemos imaginar como será a resposta às nossas orações, não sabemos como Deus agirá, mas certamente ele fará o melhor para a nossa vida!

11- Apesar de tudo o que esperava a nação de Israel, apesar de tudo o que seria revelado, João não podia desanimar, ele ainda continuaria o seu ministério.
Quando Deus nos mostra alguma luta, isto é para sabermos que ele estará conosco e nos dará força e vitória!

Concluindo: Esta primeira visão mostra que está para se encerrar o tratamento que Deus está dando a nação e a Terra por causa de todos os seus pecados.

III- Análise do capítulo 11.1-14

v.1,2 – Estes versículos introduzem a segunda visão do parêntese.
O templo aqui mencionado é o que será construído durante a tribulação (ver Dn 9.27; Mt 24.15,21). Sabemos que houve dois templos e um outro será construído, a saber:
a)-O 1º construído por Salçomão e destruído pelos caldeus;
b)-O 2º construído por Zorobabel, ampliado por Herodes e destruído pelos romanos;
c)-O 3º será construído por Israel na tribulação e será profanado pelo Anticristo.
O templo estará sob a administração dos judeus na primeira metade da tribulação, repare que aos gentios é dado pisar apenas o átrio externo. O Anticristo fará um pacto com Israel e a grande maioria irá acreditar que ele é o Messias, entretanto, na metade da semana ele quebrará o acordo e profanará o templo.
Estes mesmos gentios são vistos dominando e esmagando a cidade de Jerusalém por 42 meses que correspondem a três anos e meio; a segunda metade da tribulação.
Antes que isto aconteça, Deus enviará as suas duas testemunhas que estarão profetizando durante a primeira metade da tribulação...

v.3-13- 1260 dias = 3,5 anos; ou seja, a primeira metade da tribulação. Não podemos esquecer que estamos em um parêntese e este não está em ordem cronológica. O objetivo é mostrar que os homens não têm desculpas! As testemunhas comprovariam a maldade dos homens (ver Mt 18.16).
As duas testemunhas são profetas. Sabemos que:
a)- Estão diante do Senhor (v.4);
b)- Não poderão ser detidas e ninguém poderá impedir que profetizem (v.5);
c)- São revestidas de poder para operar maravilhas (v.6)
d)- Os sinais que realizam são semelhantes aos operados através de Moisés e de Elias (v.6);
e)- Profetizarão em uma época de grande apostasia, tal como na época Acabe e Jezabel.
f)- Somente serão mortas quando concluírem a missão (v.7);
g)- O Anticristo irá matar as duas testemunhas (v.7);
h)- O anticristo deixará o cadáver das testemunhas exposto apodrecendo ao ar livre em Jerusalém (v.8);
i)- os homens se alegrarão com a morte das testemunhas, pois acusavam o erro e com isso os aborrecia (v.9,10);
j)- As duas testemunhas ressuscitarão, o que causará grande espanto e temor (v.11);
l)- As testemunhas são levadas por Deus para o céu aos olhos dos seu inimigos (v.12);
m)-Durante a ascensão das testemunhas, um grande terremoto destrói 1/10 da cidade matando 7000 pessoas e deixando as demais aterrorizadas (v.13).
O fato das pessoas darem glória a Deus, não significa que se arrependeram.

Podemos notar que nos foi revelado muitas coisas sobre o ministério das duas testemunhas nestes versículos, entretanto, tentar descobrir quem são é tolice, haja vista não ter sido revelado.
Alguns afirmam ser Moisés e Elias que aparecerão; outros Enoque e Moisés, e outros Enoque e Elias. A meu ver serão duas pessoas que o Senhor levantará durante a tribulação no poder e virtude de Moisés e Elias, ou seja, usados tal como Moisés e Elias. Esta é a posição mais coerente.
Sobre este assunto, ver ainda:
Quando João Batista surgiu pregando, muitos “ventilaram” que ele poderia ser Elias, entretanto o próprio João negou; ele apenas profetizava com a mesma autoridade e coragem de Elias.
Leia os seguintes textos (Mt 17.10-13; Lc 1.13-18; 7.24-35 e Jo 1.19-23) e depois compare:
Elias profetizou quando um rei ímpio governava Israel (Acabe). João também (Herodes era o rei).
Elias condenou o pecado de Acabe e Jezabel diante deles. João condenou o pecado de Herodes na presença do rei.

O versículo 14 é uma transição do parêntese para a sétima trombeta.
“Passou o segundo ai. Eis que, sem demora, vem o terceiro ai.” - As duas últimas trombetas vieram acompanhadas de um ai, o que mostra que o próximo ai introduz a última trombeta. Cada ai mostra a gravidade dos juízos das três últimas trombetas.

IV- A sétima trombeta- Ap 11.15-19
Esta trombeta ao soar trás consigo as sete taças que manifestam o último grupo de juízos que atingirão a Terra, e, em especial, Israel.
Excetuando-se os parênteses que ainda estudaremos e os eventos que seguem à volta de Jesus, a sétima trombeta abrange até o final da tribulação.

v.15-18- Reinício da ordem cronológica.
Ao soar esta trombeta, há um anúncio da vitória final de Cristo e do seu povo. Este anúncio é um consolo para o povo de Deus, diante da última manifestação da ira de Deus expressa nas sete taças.
As taças estão localizadas no final da segunda metade da tribulação.
Veja a tabela abaixo:

7 selos

7 trombetas

7 taças

Início da tribulação
(1ª metade)

Segunda metade da tribulação

Final da Grande Tribulação (fim da segunda metade)

Lembre-se de que a profecia por inúmeras vezes fala no tempo passado a respeito de eventos futuros a fim de enfatizar a certeza do cumprimento da Palavra. Exemplo: Is 53.3-9 fala do sofrimento do Messias como se já estivesse acontecido, sendo que o livro foi escrito a mais de 700 anos antes de Cristo.

v.19- A arca mostra o cumprimento das promessas feitas a nação de Israel.
Não é literalmente a mesma do templo de Salomão! Leia Hb 9.23. Os utensílios representavam o céu; aliás, no céu não haverá templo (Ap 21.22,22).
É um absurdo imaginar que existem objetos iguais aos do templo e um santuário literal no céu, onde não há os limites da matéria e tudo transcende a nossa própria imaginação. Devemos ter em mente que o livro do Apocalipse possui muitas figuras e que as coisas celestes muitas vezes são representadas materialmente.
“Relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande saraivada” – Simbolizam o derramar da ira de Deus.

Findamos aqui esta aula e caminhamos para os eventos finais da Grande Tribulação, prosseguindo com o nosso estudo do Apocalipse.