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Seminário de escatologia - Parte IV
Análise do Apocalipse
Aula nº 8
Assuntos:
Capítulo 7 - Os dois grupos de salvos
Capítulo 8 - O sétimo selo e toque das trombetas

I - Introdução
Amados irmãos; para que haja uma melhor compreensão do livro, é necessário ter em mente que existem capítulos que não estão obrigatoriamente em ordem cronológica de fatos, apesar de estarem em ordem cronológica de revelação, ou seja, João escreveu todo o livro na ordem em que recebeu de Deus as revelações, mas existem parênteses no decorrer do livro que trazem detalhes sobre os fatos narrados ou nos dão um entendimento mais amplo do contexto do livro.

II- Os dois grupos de salvos - Ap 7.1-17
O capítulo sete interrompe a seqüência de abertura dos selos para trazer alguns detalhes a respeitos dos que serão salvos durante a tribulação.
Note que existe uma seqüência de juízos ao longo do livro que estão representados respectivamente por:
1º) Sete selos
2º) Sete trombetas
3º) Sete taças
Repare ainda que o sétimo selo trás as sete trombetas e a sétima trombeta trás as sete taças...

Quando o último selo for aberto (capítulo 8), começará a soar as trombetas e a ira de Deus continuará a ser derramada sobre a Terra. Imagine quão grandes juízos ainda estão reservados... A tribulação continuará e Deus apertará o cerco em relação a Israel conforme se iniciar os últimos três anos e meio da septuagésima semana. Sabemos que nos primeiros anos o Anticristo fará um pacto com Israel, mas este pacto será quebrado na metade dos sete anos. As trombetas correspondem à segunda metade da tribulação, mas antes das trombetas soarem, o Apóstolo mostra que mesmo em meio a tão grande angústia, Deus preservará o seu povo.

O objetivo deste parêntese é mostrar que Israel será preservado através de um remanescente que será poupado pelo Senhor. O capítulo também mostra que muitos dentre as nações da Terra serão salvos apesar de todo martírio, destruição e sofrimento. O capítulo é um incentivo diante da revelação das terríveis coisas que hão de acontecer sobre a Terra!

A- O primeiro grupo de salvos (Ap 7.1-8)
No versículo 1, os quatro ventos mostram a agitação que em breve abrangerá toda a Terra (quatro cantos).
Os anjos possuem um ministério bastante ativo no livro do Apocalipse, eles são vistos tanto como mensageiros, como também como agentes de Deus para derramar a sua ira. No caso, os quatro anjos causariam agitação nas nações.
Antes que se prosseguissem os juízos, seria necessário marcar os servos de Deus.
O anjo do versículo 2 não é o Senhor porque durante a tribulação ele estará com a Igreja no céu; o selo não se refere aos selos do livro, pois estes somente podiam ser abertos pelo Cordeiro.
Trata-se de um anjo de Deus (ter o selo do Deus vivo significa ter a marca de Deus) com a missão de conter os outros anjos até que os escolhidos fossem marcados (v.3).
4-8 - Os selados são Israelitas (“de todas as tribos dos filhos de Israel”)
Deus conservará um remanescente judeu para poupar aquela nação. As promessas feitas por Deus aos patriarcas e ao seu povo pelo ministério dos profetas ainda não aconteceram.
O Senhor cumprirá a aliança feita com o seu povo através dos pactos Abraâmico, Palestino e Davídico; para isso, Jesus voltará como Messias e reinará em Jerusalém sobre todas as nações, entretanto a nação de Israel precisa ser tratada e purificada; por este motivo o Senhor conservará intacto um remanescente a fim de que a nação não seja totalmente destruída durante a Grande Tribulação.

B- O segundo grupo de salvos (Ap 7. 9-17 )
Este segundo grupo é formado pelos mártires da Tribulação.
O Evangelho do Reino será pregado durante a tribulação e muitos vão esperar a volta de Jesus para reinar.
Sobre este grupo podemos notar:

9- É formado por pessoas de todas as nações, que crerão na mensagem do Evangelho do Reino. Trata-se de uma grande multidão.
Durante a tribulação, muitos passarão pelo martírio por crerem em Cristo e não servirem a Besta.
Obs: Os 144.000 judeus serão marcados e poupados; passarão por toda Tribulação sem serem mortos, diferentemente deste grupo que não será poupado do martírio.
Estarem diante do Cordeiro é um avanço da visão até o final, ou seja, Deus está mostrando que serão salvos, apesar de todo sofrimento que os espera.
As vestes brancas mostram a vitória, a santificação e a glorificação que receberão.
Palma é símbolo de vitória.
Outra observação: os mártires possuem vestes brancas e trazem palmas em suas mãos, receberão a vitória; entretanto, somente a Igreja é vista coroada!

10- O cântico que cantavam glorificava a Deus Pai e ao seu Filho Jesus, por causa da salvação que alcançaram.

11,12- Todo o céu também se alegra e adora a Deus por causa da sua misericórdia e tão grande salvação. Observe que os vinte e quatro anciãos participam desta adoração o que diferencia este grupo da Igreja, haja vista os anciãos representarem os santos do Antigo Testamento e a Igreja.

13-17- Estes versículos nos revelam mais detalhes sobre esta grande multidão e quem são estas pessoas. Não devemos “tentar adivinhar” porque as respostas estão no próprio texto...
Vejamos então:
A pergunta do ancião é feita com o objetivo de ser revelado ao Apóstolo o significado da visão. Com a própria pergunta vem a resposta!
A multidão é composta de todas as pessoas que foram mortas durante a Grande Tribulação (os mártires da tribulação) e foram salvas pelo sacrifício de Jesus.
Eles servirão a Cristo.
A referência a não terem mais fome, sede ou não serem mais molestadas pelo sol nos lembra justamente as coisas que acontecerão com a humanidade, inclusive com eles, durante a Tribulação.
“E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.”. Este texto (v. 17) refere-se a enxugar as lágrimas do sofrimento daqueles que vieram da tribulação.

Após mostrar que poupará um remanescente judeu e trazer consolo e incentivo revelando a vitória final dos que serão martirizados, o Senhor continuará a revelar os acontecimentos da Grande Tribulação com a abertura do último selo e o início do soar das sete trombetas. Encerra-se aqui o primeiro parêntese do livro e voltamos à ordem cronológica...

 III- O sétimo selo e toque das trombetas - Ap 8.1-13
Ao ser aberto o sétimo selo, inicia-se o toque das sete trombetas. Estamos na metade da tribulação.

1-6-O sétimo selo é aberto. Houve silêncio; provavelmente para mostrar a seriedade das coisas que estão para acontecer.
Podemos ver claramente que as trombetas partem da abertura do sétimo selo, do mesmo modo que mais adiante as sete taças seguirão a sétima trombeta.
É interessante notar que as nossas orações jamais se perdem, elas sobem como cheiro suave diante do Senhor e sempre serão respondidas. No caso do capítulo que estamos estudando, estas orações parecem ser o clamor dos santos por justiça, ao que Deus responde derramando a sua ira sobre a Terra. O derramar do juízo é simbolizado pelos trovões, vozes, relâmpagos e terremotos.

III.1)- As quatro primeiras trombetas.
Os juízos tornam-se mais severos com o toque das trombetas. A Terra sofrerá um pesado castigo.

7-A primeira trombeta: Saraiva (chuva de pedras incandescentes).
É queimado 1/3 da terra, das árvores e da erva verde.

8,9- A segunda trombeta: A terça parte do mar é atingida, morrendo 1/3 dos seres marinhos. Também 1/3 das embarcações são atingidos.
Uma grande montanha ardendo em fogo atirada no mar é a causa da destruição!
Esta montanha ardendo em chamas pode ser um grande meteoro, entretanto é difícil de interpretar com exatidão o que será; mas o certo é que ela provocará um enorme desastre e um grande impacto à humanidade!

10,11- A terceira trombeta: Agora são as águas doces (rios) que são atingidas em sua terça parte e tornam-se contaminadas. Quem beber destas águas morrerá! Isto causará uma escassez de água potável tal como nunca houve!
Absinto- Vem do hebraico e significa fel; amargura.
Repare que os recursos da Terra estão sofrendo drástica redução.
Do mesmo modo que a montanha do versículo 8, é difícil de interpretar com exatidão que estrela é esta, mas igualmente o efeito sobre as águas será literal.
Obviamente que o Apóstolo usou a linguagem e conhecimento que possuía em sua época, visto que literalmente uma estrela não poderia cair na Terra. Pode ser que o texto esteja se referindo a um outro corpo celeste que cai na Terra, como um meteoro, por exemplo, causando impacto sobre os rios e as fontes.
Vale observar que alguns expositores consideram ser possível que o texto também pode estar se referindo a um tipo de poder demoníaco que fere as águas, haja vista os anjos caídos serem representados por estrelas caídas do céu. (Ap 12.4). Note que na seqüência outros anjos caídos serão soltos do abismo e ocuparão a Terra.

12,13- A quarta trombeta: A luz do sol, da lua e das estrelas perdem um terço do seu brilho.
Isto me lembra o céu no Estado de São Paulo; raramente podemos olhar para o alto e ver o céu aberto, azul e brilhante por causa da poluição. Obviamente que o relato do que lemos no Apocalipse é muitíssimo pior; mas quando vemos as mudanças climáticas que acontecem em nossos dias por causa do aquecimento global ocasionado pela poluição, parece que estamos vendo o cenário da tribulação sendo montado.

Imagine o impacto que as quatro primeiras trombetas causarão na humanidade! Mas o pior ainda está para acontecer...

A águia do versículo 13 mostra a velocidade e brevidade com que virão os juízos das três últimas trombetas; os três ais sinalizam a gravidade do que está para acontecer com o toque das trombetas que ainda restam.
As três últimas trombetas superam as anteriores em gravidade.

Na próxima aula estaremos analisando o capítulo 9.