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Seminário de escatologia - Parte IV
Análise do Apocalipse
Aula nº 7
Assunto: O início da Tribulação
A abertura dos seis primeiros selos
 
I - Introdução
Com o início do capítulo 6, o cenário dos acontecimentos passa para a Terra. O espaço que abrange os capítulo 6 a 19, corresponde a 70ª semana do livro de Daniel descrita em Dn 9. 24-27 que durará 7 anos; será um período de sofrimento, quando Deus derramará a sua ira sobre a Terra. Este espaço de tempo também é chamado de Tribulação e encerra-se com o relato da volta de Jesus no capítulo 19; quando o Senhor destrói o império do Anticristo, encerra a Grande Tribulação e implanta o seu reino milenar.
A maioria dos comentaristas prefere chamar de grande tribulação apenas à segunda metade dos sete anos devido aos fatos terríveis que sucederão nos últimos três anos e meio e porque o Anticristo quebrará o pacto com Israel neste tempo, quando será colocada a abominação da desolação no lugar santo. Serão tempos de grande angústia para Israel. Já na primeira metade, haverá muitas catástrofes, guerras, fomes e pestes, entretanto, não se comparam com o final da semana, quando o Anticristo vai mostrar quem realmente ele é e tentará destruir Israel.
Devemos recordar que do capítulo 4 até o final do livro, estamos tratando da parte que se refere “as coisas que depois destas hão de acontecer”, ou seja, o que acontecerá após o arrebatamento da Igreja, e, conseqüentemente, o encerramento da época da Igreja. Recordemos ainda que os capítulos 4 e 5 mostram a Igreja no céu e são uma espécie de introdução (principalmente Ap 5 ) para o que ocorrerá na Terra.

Enquanto no céu a Igreja se alegrará com o Senhor e será galardoada; na Terra, os que ficaram, passarão por grandes sofrimentos, tal como jamais houve na história e nunca mais haverá!
A Igreja não será mais o povo de Deus na Terra, pois já terá sido arrebatada;  logo, o Senhor passa a tratar novamente com Israel.
Os juízos de Deus serão executados sobre toda a humanidade, mais terão como alvo principal a nação de Israel a partir da segunda metade da Tribulação.

  

Até aqui os eventos estão ordenados cronologicamente, entretanto, a partir de agora, nem sempre isto ocorrerá, pois haverão parênteses que são colocados pelo autor entre a seqüência dos eventos narrados.

I – Os seis primeiros selos- Análise do capítulo 6
Este capítulo também é uma continuação do anterior; o capítulo 5 mostrou quando o Cordeiro pegou o livro que estava na destra do que estava assentado no trono. Este livro continha a declaração do que havia de acontecer na Terra após o arrebatamento.
v.1,2-  O primeiro selo é aberto e o primeiro cavaleiro avança! Inicia-se a tribulação na Terra.
A palavra vê (como está na ARC e ACF) não se encontra nos melhores manuscritos.
Quando colocamos a palavra vê; a impressão que temos é a de que o ser vivente se dirige ao Apóstolo; mas o mais correto é como está na ARA (também na AC; NVI; BLH; NTLH e A SÉC.21) que omite a palavra vê e o sentido exato é de que é dada a ordem para que o primeiro cavaleiro se manifeste. O mesmo ocorrerá nos versículos 3,5 e 7.
O manifestar deste cavaleiro corresponde a II Ts 2.6-12. Não se trata de Cristo, a sua volta à Terra encontra-se relatada em Ap 19.11-16, mas sim do Anticristo; este imita o verdadeiro Messias. A única semelhança entre os cavaleiros é o cavalo branco que simboliza vitória.
O arco sem flechas na mão do cavaleiro mostra uma falsa paz; também simboliza aliança. No início, o Anticristo procurará mostrar uma falsa paz, ele fará uma aliança com Israel na primeira metade da semana e muitos (a maioria) judeus o receberão como Messias. A coroa mostra que ele reinará (por um tempo).
Vimos na matéria de escatologia e análise de Daniel, que, no início, o Anticristo partiria para uma grande conquista, sairia como vencedor e ampliaria muitíssimo o seu domínio.
Com o manifestar do Anticristo e o início da Tribulação, segue-se a desgraça; entretanto, o pior estará por vir nos últimos três anos e meio...

v.3,4- O segundo selo é aberto
Com o segundo cavaleiro é tirada a paz na Terra. A espada aqui é literal e significa guerra!

v.5,6- O terceiro selo é aberto
O terceiro cavaleiro mostra um racionamento de alimentos, provavelmente devido à escassez dos mesmos.
Um denário era o salário de um dia de trabalho. Os homens trabalharão para adquirir apenas uma porção da comida diária. A medida de trigo e as três medidas de cevada é a porção diária destes cereais necessária para apenas uma pessoa; considerando-se uma família de quatro pessoas, na qual apenas um trabalha, qual será a situação?
Repare que são atingidos especialmente os alimentos básicos, isto torna os pobres primeiramente vulneráveis (trigo e cevada não são artigos de luxo), já os ricos não sentirão muito no início, pois os seus artigos de luxo ainda existirão (azeite e vinho).

v.7,8- O quarto selo é aberto
O quarto cavaleiro trás consigo a morte. Amarelo (pálido) é a cor dos cadáveres! Será morta a quarta parte dos habitantes da Terra!
A morte vem através de:
a)- Espada = Guerra
b)- Fome – Será uma fome tal qual nunca houve na Terra
c)- Mortandade = Doenças; pestes
d)- Feras da Terra – Literalmente, predadores ferozes; caçadores.
A palavra para “feras da terra”, no original, da à idéia de seres selvagens; predadores prontos para a caça. Não podemos esquecer também que o Senhor, para executar o seu juízo, pode usar também do seu poderoso exército de gafanhotos, vermes e bactérias. O mais importante é percebermos que há uma metáfora que soa como que se a destruição dos homens estivesse sendo preparada, como se eles fossem ser caçados como presas!

v.9-11- Aberto o quinto selo
O martírio dos santos começa...
Muitos morrerão por dois motivos:
a-Palavra de Deus – Morrerão por causa da pregação.
b-Testemunho que sustentavam – Morrerão por causa de suas vidas, não negarão a fé e afirmarão que pertencem a Deus.
São vistos debaixo do altar, ou seja, cobertos pelo sacrifício do Cordeiro. Isto indica que são salvos!
Estas almas são de santos, entretanto, os que são mortos na tribulação não fazem parte da Igreja, ressuscitarão apenas após o término dos sete anos da tribulação. Eles estarão no paraíso aguardando.
O fato de clamarem, nos mostra:
a- Que os mortos estão em estado de consciência
b- Eles pedem vingança- Haja vista a era da Igreja ter se encerrado, o pedido de vingança é feito tal como no Antigo Testamento. Não podemos esquecer de que após o arrebatamento, Israel é o povo de Deus na Terra (obviamente que nem todos que dizem ser judeus são judeus de coração).
As vestes brancas mostram mais uma vez a salvação, eles também foram purificados pelo sangue do Cordeiro. Aqui é dada uma certeza de que ressuscitarão.
“... até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram.” - Muitos ainda haviam de morrer até que os sete anos se completassem, somente então ressuscitariam todos os mártires juntos, no término da tribulação.

Haverá salvação durante a tribulação, entretanto, o sofrimento será altíssimo!

  

12-17- O sexto selo
Este selo trás consigo um grande terremoto; repare que o terremoto atinge todo o planeta e vem acompanhado de uma terrível chuva de meteoros (possivelmente seja a causa do grande abalo). As “estrelas que caem do céu” não poderiam ser estrelas, mas trata-se de meteoros; João apenas estava usando a linguagem da sua época e o conhecimento que tinha a sua disposição. A inspiração, as revelações e as visões são de Deus, mas o escrever cabe ao Apóstolo, e este, usou a linguagem e o estilo de escrita que lhes são próprios.
O efeito do tremor de Terra é tão grande que a poeira levantada se estende pela atmosfera e cobre a luz do sol.
No versículo 15 percebemos que a catástrofe atinge todas as classes de pessoas e nos versículos seguintes vemos que os homens reconhecem se tratar das mãos de Deus, entretanto, não significa que se arrependeram!

Amados; antes da abertura do último selo há um parêntese no capítulo 7, onde veremos alguns detalhes. Estaremos analisando estes pormenores na nossa próxima aula, juntamente com a abertura do sétimo selo.