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Seminário de escatologia - Parte IV
Análise do Apocalipse
Aula nº 3
Assunto: As sete Igrejas da Ásia Menor - Parte 1
Análise do capítulo 2

I- Introdução:
Irmãos; iniciamos com esta aula o estudo da parte do livro que trata das “coisas que são”. Nas duas aulas que se seguem, estaremos analisando as cartas às sete igrejas da Ásia. Teremos diante de nós um dos textos proféticos mais importantes em relação à Igreja.
Existem quatro tipos de aplicações possíveis; todos corretos, a saber:
A)- Sete igrejas que existiram na Ásia Menor no tempo do apóstolo João;
B)- Sete tipos de crentes que existem dentro das igrejas locais;
C)- Sete tipos de igrejas locais existentes em qualquer época;
D)- Sete períodos na história eclesiástica.
Embora possamos aplicar qualquer um dos tipos acima; em termos de interpretação do livro, creio que o Espírito Santo deseja nos mostrar o progresso da Igreja ao longo dos anos e o seu triunfo final, cujo ápice é o arrebatamento, com o objetivo de incentivar os cristãos fieis e verdadeiros diante das lutas. Apesar de todos os problemas enfrentados pelos verdadeiros cristãos, seja em qualquer período, Deus sempre levantou e levantará um remanescente e preservará a sua Igreja “invisível” até tomá-la para si. A interpretação que nos mostra os sete períodos da história eclesiástica é a que se encaixa no tema escatológico do livro.
Cada carta, de um modo geral, contém uma saudação na qual Jesus se apresenta de forma diferente para cada igreja; trás um elogio, uma repreensão, uma exortação e uma promessa. Baseado nisto, montarei uma tabela comparativa no final da aula nº 4 que facilitará o estudo dos irmãos.
Lembremo-nos das palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo em Mt 16.18: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

II- Apocalipse 2. 1-29- Os quatro primeiros períodos da história eclesiástica
Estaremos analisando nesta aula as quatro primeiras cartas contidas no capítulo 2 do livro...

II.1 - A primeira carta: Éfeso
Éfeso significa desejável. Esta igreja corresponde ao período do início da Igreja (Pentecostes) até o final da era apostólica. A Igreja começou cheia de amor (At 2.41-47; 4.32-37); entretanto, com a morte dos apóstolos e discípulos mais antigos; o crescimento das heresias e a necessidade de repreensão constante, logo a Igreja foi perdendo o primeiro amor. Quando chegamos ao ano 100dc, aproximadamente, o que encontramos é uma Igreja que havia perdido o primeiro amor.
A doutrina dos Nicolaítas (o termo vem de niko- subjulgar  +  laos- leigos) que trazia a separação entre clero e leigos foi combatida nesta época, bem como a entrada das heresias e os falsos apóstolos.
A árvore da vida refere-se à vida eterna.

II.2 - A segunda carta: Esmirna
A palavra Esmirna vem do latim e significa mirra ou amargura, um nome bem sugestivo para retratar o período que abrange esta carta. A mirra era um dos ingredientes usados para a embalsamação de corpos.
Esta igreja corresponde ao período que vai do ano 100dc até 313dc. Foi um período de grande prova e intensa luta. Nossos irmãos foram mortos e torturados nas arenas e circos romanos, mas a morte de cada um deles mostrava o poder da fé que possuíam em um Senhor vivo e real. Enquanto os seus corpos caíam dilacerados pelos leões ou queimados nas praças, outros milhares se convertiam por causa do poderoso testemunho de fé que davam diante de todos. Foi nesta época que a Igreja alcançou um dos maiores avivamentos; a situação da perda do primeiro amor foi revertida na fornalha do sofrimento. Deus permitiu a prova e através dela a Igreja se fortaleceu.
Não é ao acaso que Jesus se apresenta como aquele que esteve morto e reviveu; sendo um incentivo aos cristãos que seriam provados até a morte, mas que certamente venceriam, assim como Cristo venceu.
No v.9, vemos que a verdadeira riqueza para Deus não consiste em bens materiais. Esmirna era pobre, porém, aos olhos do Senhor, era rica!
Sobre a blasfêmia dos falsos judeus, estas eram dirigidas especialmente contra Jesus. Os cristãos de Esmirna mais tarde relataram como os judeus se aliaram aos pagãos a fim reivindicar a morte de Policarpo, bispo de Esmirna.
Justino mártir acusou que os judeus, em suas sinagogas, amaldiçoavam em público a todos quantos confiassem em Cristo. Tertuliano; em uma de suas obras, mostra-nos como os judeus instigavam ativamente a perseguição contra os cristãos; e Eusébio, em sua história Eclesiástica v.16; relata o mesmo fato.
A tribulação de dez dias indica um espaço determinado de tempo que logo passaria. Sabemos através da história, que a Igreja sofreu sob dez perseguições distintas, desde o reinado de Nero até Diocleciano. As perseguições movidas por Diocleciano foram as piores e duraram exatamente dez anos. Em uma só catacumba foram achados os remanescentes ósseos de 174.000 cristãos.
“Sê fiel até a morte”; é uma exortação que mostra claramente que haveria martírios neste período, mas quem permanecesse fiel não receberia o dano da segunda morte (separação eterna de Deus; condenação).

II.3 - A terceira carta: Pérgamo
A palavra Pérgamo significa “casado”; “elevado”. Esta época vai do ano de 313dc até o ano de 540dc aproximadamente e corresponde ao período da igreja sob o favor imperial.
O imperador Constantino supostamente converteu-se ao cristianismo em 312dc e no ano de 313dc, através do Edito de Milão, obrigou todos os cidadãos do império a seguir a sua religião. Aparentemente seu ato era benéfico, mas na verdade, prejudicava extremamente a igreja verdadeira do Senhor. Ninguém pode se tornar cristão a força ou por obrigação; alem do que, a Igreja verdadeira não deve viver sobre a proteção de autoridade humana, mas sim do Senhor.
Com a declaração oficial da religião cristã como a religião do império, Constantino passou a participar e votar em concílios, os pagãos traziam os seus “deuses” e rituais para dentro das comunidades locais; os “inimigos de dentro” substituíram os “inimigos de fora”.
Podemos dizer que o catolicismo romano começou a se formar nesta época. A palavra “católica” significa “universal”, ou seja, o cristianismo agora era a religião do mundo imperial.
A igreja prosperou, mas o mundo entrou nela!
Sobre o trono de Satanás: Pérgamo havia sido uma cidade-estado grega, doada ao império romano em 133ac por Atallus III. Estavam sediados na cidade quatro dos maiores cultos aos deuses gregos: Zeus, Atena, Dionísio e Asclépio. Havia templos suntuosos para Júpiter, Atena, Apolo e Esculápio. A cidade possuía uma das formas mais antigas de adoração ao Diabo e um antigo culto babilônico chamado “culto dos magos”. Antes de João escrever o Apocalipse, Antipas morreu como mártir cristão em Pérgamo.
A cidade foi chamada de trono de Satanás porque aproximadamente em 487ac, após a tomada da Babilônia, a hierarquia sacerdotal da Babilônia fugiu para esta cidade. Na época do império romano; de Pérgamo, o sumo pontífice da ordem babilônica legou como herança, por lei, toda a sua autoridade e domínio à hierarquia babilônica de Roma, e assim, os Césares tornaram-se pontífices máximos e soberanos pontífices dessa organização idolatra (Júlio César foi eleito o primeiro pontífice em 74 ac) até que o título foi transferido para o bispo de Roma chamado Dâmaso em 378 dc..
Como pode ser notado, a influência da idolatria e do ocultismo eram enormes naquela cidade, e o ápice da depravação espiritual em Pérgamo estava no culto ao imperador romano.
Os perigos da influência pagã no seio da igreja eram enormes e reais, haja vista o “casamento” entre Igreja e Estado ter sido efetuado. Pérgamo era, sem dúvida, uma grande figura disto; pois nesta época da igreja a idolatria começou a penetrar dentro dela com todos os rituais ocultistas da Babilônia.
Podemos ver nesta época os ensinos errados penetrando na igreja...

  1. A doutrina de Balaão, que leva o povo a aceitar a idolatria;
  2. A doutrina dos Nicolaítas, reprovada no primeiro século, agora era permitida!

Jesus peleja contra esta Igreja com a espada que sai da sua boca, ou seja, com a sua palavra.
Quanto à recompensa ao remanescente desta época, temos:
A)O Maná escondido- O alimento espiritual que os sustentaria diante de tantas dificuldades e enganos.
B)A pedrinha branca com o novo nome – É algo particular entre Cristo e cada um dos seus servos individualmente. Essa pedra branca era usada nas eleições e o eleitor colocava na urna; nela estava escrito o nome do seu candidato, o nome que ele aprovava. Assim, a pedra branca fala da aprovação do crente por Cristo e o novo nome algo íntimo entre ele e o seu salvador.

II.4 - A quarta carta: Tiatira
O nome Tiatira significa sacrifício perpétuo; oferta contínua. Não devemos esquecer do detalhe de que a missa trás consigo um sacrifício contínuo sobre o altar, ao passo que a Bíblia nos ensina que Cristo morreu uma só vez pelos pecadores e agora vive para interceder por nós a destra do Pai.
Este período corresponde a época da consolidação do poder papal e da idolatria dentro da igreja. O que foi rejeitado em Éfeso e tolerado em Pérgamo; agora está efetivado em Tiatira. Este período da igreja abrange o intervalo de tempo que vai de 540dc até 1517dc.
Jesus apresenta-se como Filho de Deus em contraste com o “filho de Maria” apresentado pelo romanismo. Ele mostra a sua onisciência e santidade para esta igreja. A época foi marcada por grandes obras, entretanto estas obras não poderiam produzir salvação.
A corrupção que estava entrando na igreja, agora definitivamente se implantou ao ponto de ser chamada de “profundezas de Satanás”. Tiatira leva-nos ao pleno desenvolvimento do romanismo; a apostasia romana tem colocado uma mulher no lugar do Filho de Deus.
Jezabel era uma rainha idólatra pagã casada com um rei israelita. Ela perseguia os verdadeiros israelitas e mandava matar os profetas do Senhor; isto se aplica a igreja romana que tem o nome de cristã, mas perseguia, torturava e matava os verdadeiros servos de Cristo.
Deus tem dado um tempo para que haja arrependimento, entretanto, sabemos que este arrependimento não acontecerá! (v. 21). Por causa das suas aberrações, esta igreja passará pela grande tribulação (vs. 22,23).
Como em todas as épocas, sempre existe um remanescente fiel na Igreja (v.24).
A expressão “até que eu venha“, mostra que esta igreja ainda existirá na época do arrebatamento (v.25).
Aos que guardarem as obras de Cristo (aquelas que refletem a fé verdadeira) e não as obras mortas, Jesus promete que estes reinarão com Ele.
Como época, Tiatira durou até 1517, mas como Igreja, existirá até o arrebatamento, entretanto, não subirá para o encontro com o Senhor nos ares, mas ficará na tribulação.
Repare que a contar de Tiatira, todas as demais igrejas existirão até o arrebatamento, mas somente Filadélfia subirá.

Na próxima aula meditaremos sobre as três igrejas restantes, a saber: Sardes, Filadélfia e Laodicéia.