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Seminário de escatologia - Parte IV
Análise do Apocalipse
Aula nº 2
Assunto: Análise do capítulo 1

Amados irmãos, nesta aula estaremos comentando o capítulo 1 do livro do Apocalipse.
Este capítulo poderá se dividido da seguinte forma:
1.1-3- Introdução
1.4-8- Saudação
1.9-20- Visão de Jesus glorificado
Estaremos analisando cada parte do capítulo.

I- Introdução – Ap1.1-3
Esta introdução nos mostra o título, o autor e o assunto do livro.

v.1- O propósito do livro é mostrar aos servos de Jesus o que em breve há de acontecer. Isto visa encoraja-los diante das lutas.
A profecia tem como origem o próprio Deus; o seu mediador é o Senhor Jesus; os instrumentos são os anjos e João é o homem separado para nos trazer a revelação.
A primeira palavra do livro é “revelação”, isto nos mostra o desejo de Deus em tornar conhecida as profecias deste livro.
O autor do livro se identifica como João. Ver ainda v(s). 4,9 .

v.2- O autor confirma a veracidade da profecia; ela é a Palavra de Deus e Jesus deu testemunho dela. Muitos ignoram este livro, mas é a Palavra de Deus!

v.3- Quem ler, ouvir e guardar no coração as profecias do livro será bem-             -aventurado; suas palavras são como refrigério para quem é fiel, haja vista o cumprimento de todas as coisas estar próximo e o livro mostrar o triunfo final do povo de Deus.

II- Saudação – Ap 1.4-8
v(s).4-6- Destinatário – As sete Igrejas da Ásia.
Ásia não é uma referência ao continente asiático, tal como conhecemos em nossos dias, mas sim a região conhecida como Ásia Menor, que corresponde a atual Turquia.
As sete igrejas existiam na época, entretanto o número sete tem um significado simbólico neste livro, ele representa plenitude, totalidade; logo, apesar de João enviar as cartas para aquelas igrejas existentes, elas estavam simbolizando a universalidade da Igreja, ou seja, as cartas são endereçadas a toda Igreja ao longo dos anos. Sobre o significado, estaremos falando na próxima aula.
Saudação - A saudação é da parte do Deus trino.
Aquele que é - Mostra a divindade; o EU SOU, tanto Deus Pai como Deus Filho. A expressão também dá uma idéia de presença e existência eterna.
Aquele que era – Mostra a sua eternidade passada; Deus não tem princípio nem fim.
Aquele que há de vir – Mostra o seu domínio e soberania; o seu reino estabelecido.
Quando pensamos em Cristo, podemos afirmar que ele sempre existiu, sua eternidade passada é inquestionável (Ele Era). Ele morreu por nós, mas está vivo, porque ELE É; ele voltará (Há de vir) porque prometeu e a sua Palavra é verdadeira.
Compare com Hb 13.8 .
Quanto aos sete Espíritos de Deus, temos a plenitude do Espírito Santo, tal como em Is 11. 1,2, habitando em Jesus.
A Trindade está presente na saudação, Deus é único!
Jesus se apresenta com os seguintes títulos:
Fiel Testemunha (em tudo perfeito e obediente ao Pai); Primogênito dos mortos (primeiro homem que morreu e ressuscitou em um corpo glorioso) e Soberano dos reis da Terra (Rei dos Reis). Ele também é aquele que mostrou o seu amor infinito morrendo por nós na cruz libertando-nos do pecado e nos fez reis e sacerdotes para Deus Pai.
João encerra a saudação com uma doxologia (adoração; glorificação).

v.7- Este versículo é uma espécie de parêntese na saudação.
A primeira parte do versículo 7 está se referindo a 2ª vinda, quando Jesus voltar e pisar na Terra para dar fim a Tribulação e reinar sobre Israel e todas as nações.
Até quantos o traspassaram - São os judeus. Ver Zc 12.10, 14.2-4

v.8- Neste versículo temos as palavras do próprio Deus. Podem ser aplicadas ao Senhor Jesus, como, por exemplo, em Ap 22.12-14. Ver o comentário do v. 4 (saudação).

III- A visão de Jesus Glorificado – Ap 1. 9-20
      As coisas que tens visto...
Passamos agora a estudar a primeira parte do livro...

v.9- O apóstolo se identifica como nosso irmão e companheiro na tribulação (ou seja, todo aquele que serve a Jesus com sinceridade passará pelas mesmas aflições; também nos dá a entender que sofremos juntos por sermos um só em Cristo; logo, quando um sofre, todos sofrem juntos). Ele se une a todos os crentes também no que se refere ao reino, assim como passamos por tribulações nesta vida, certamente reinaremos juntos com Cristo! João também está unido conosco na perseverança; ou seja, resumindo, todos os crentes verdadeiros passarão por lutas, vencerão e devem igualmente perseverar.
Local da carta – Ilha de Patmos – Ficava cerca de 53km distante da costa sudoeste da Ásia Menor. Atualmente pertence a Grécia.
Motivo – João foi exilado pelo imperador Domiciano por causa da Palavra de deus e do Testemunho de Jesus.

v.10- Em espírito – Uma espécie de arrebatamento, estado de êxtase.
Dia do Senhor – Não no sentido escatológico, mas refere-se ao domingo, como memorial a ressurreição.
Alguém fala com o apóstolo...

v.11- ... Este alguém ordena que João escreva a visão em forma de livro e envie para as sete igrejas da Ásia Menor.

v.12- Sete castiçais – Ver o significado em  Ap1.20

v.13- Jesus no meio das Igrejas.
Semelhante... Quando Jesus esteve na Terra, João conviveu com ele durante o seu ministério; mas agora Jesus se apresenta glorificado e majestoso!
Filho do Homem – Título que enfatiza a humanidade de Jesus.
Vestes – Santidade
Cinto de Ouro – Realeza

v.14- Cabeça e cabelos brancos – Eternidade
Olhos como chama de fogo – Onisciência; o olhar profundo de Jesus!

v.15- Pés como bronze polido – Seu caminhar era perfeito e  foi provado na fornalha da aflição!
O bronze polido era usado como espelho. Os sacerdotes se lavavam no mar de bronze... O caminhar de Jesus refletia a sua divindade!
Voz como de muitas águas – Mostra o poder da sua Palavra.

v.16- Quanto as sete Igrejas, ver a interpretação em Ap 1. 20
Espada de dois gumes – Este tipo de espada era muito mais penetrante e atingia profundamente a vítima porque possuía corte dos dois lados. É usada como símbolo da Palavra de Deus, pois esta penetra no mais profundo do homem! Ef 6.17; Hb 4.12,13
Seu rosto brilhante como o sol – Mostra a sua Glória. Ver Mt 17.2

v.17- Apesar de todo o seu poder e grande Glória, ele continua o mesmo; manso, humilde e amoroso. Jesus sabe a nossa estrutura e tem compaixão de nós!
O Senhor encoraja a João. A sua presença é uma segurança e conforto. Ele é o primeiro e o último (a expressão está se referindo a sua divindade e soberania). Podemos enxergar os títulos “Alfa e Ômega” e “Princípio e fim” nas palavras “primeiro e último”. Jesus está no controle de todas as coisas!

v.18- Aquele que vive –Ele está vivo; ressuscitou!
Estive morto – Lembra o seu sacrifício por nós na cruz!
Mas eis que estou vivo - A morte não teve poder sobre ele!
Tenho as chaves da morte e do inferno – Somente será condenado aquele que não crer no Filho de Deus; somente sofrerá o dano da morte eterna aquele que rejeitar o Filho do Homem!
Jesus, com a sua morte, aniquilou o poder do pecado e libertou o homem da morte. I Co 15. 54-57
Isto não tem nada a ver com aquelas historinhas ridículas que provavelmente você já ouviu; histórias do tipo daquela que estava tendo uma comemoração no inferno porque Jesus tinha morrido, e, subitamente ouviu-se um barulho, uma grande luz e passos assustadores no inferno; então, eis que surge Jesus e diz para o Diabo: “Me dá aqui essa chave da porta do inferno”. Jesus dá uma boa surra no Diabo e toma a chave da mão dele. Que absurdo!!!! Vejamos:
O Diabo não tinha motivo nenhum para comemorar, pois sabia que a vitória de Jesus estava na cruz, por isso ele sempre tentou fazer Jesus desistir ou pecar.
No inferno, certamente, o Diabo não terá tempo para comemorar, pois naquele lugar ele será atormentado de dia e de noite.
No inferno ainda não foi lançado ninguém. Os primeiros a serem lançados serão a Besta e o Falso Profeta. Satanás será lançado no inferno após o juízo final.
Estas chaves não são literais, mas sim figuras!

A chave para a interpretação do livro
Ap 1.19
O Senhor ordena que João escreva toda a visão.
A chave para termos uma noção geral do livro inteiro está neste versículo.
Ver o estudo da aula nº 1 nesta apostila; introdução.
As coisas que viste são aquelas que João havia presenciado no início da visão, ou seja, Jesus Glorificado.
As coisas que são se refere àquelas pertencentes à dispensação da Graça; a época da Igreja.
As que depois destas hão de acontecer, são os fatos que ocorrerão após o fim da época da Igreja, ou seja, após o arrebatamento.

v.20- Interpretação das sete estrelas e dos sete candeeiros de ouro:
As sete estrelas são os anjos das igrejas. A palavra anjo significa mensageiro; logo, refere-se aos pastores das igrejas que teriam a incumbência de transmitir a mensagem.
Os sete candeeiros são as sete igrejas.

Nas duas aulas seguintes estaremos estudando as sete igrejas.